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26/01/2018 - 09h59m

Entenda porque fazer o Papanicolau pode evitar o câncer do colo do útero

Exame é o procedimento mais utilizado para detectar lesões causadas pelo HPV, principal causador do câncer; realizar o procedimento regularmente pode prevenir a doença que, se detectada cedo, tem 100% de chance de cura

Entenda porque fazer o Papanicolau pode evitar o câncer do colo do útero

Fonte: Saúde - iG  

Quando a pesquisadora Aline Dantas, de 32 anos, se mudou para a Holanda, em agosto de 2016, levou algum tempo até que ela se adaptasse e voltasse a cuidar da saúde, como fazia no Brasil. “Passei um ano e meio sem fazer Papanicolau”, conta. 

Considerando a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda a repetição do exame anualmente, na maioria dos casos, esse período foi relativamente curto, “mas o suficiente para que o tumor se desenvolvesse”, alerta ela, que foi diagnosticada com câncer do colo do útero. 

Antes de deixar o Brasil, Aline chegou a procurar um ginecologista para tratar de um sangramento que acontecia esporadicamente. Ao passar por alguns exames, ela descobriu o resultado positivo para o HPV e foi submetida a algumas cauterizações no colo do útero que deveriam solucionar o problema, conforme seu médico a orientou. 

“Ninguém nunca me alertou sobre a importância desse procedimento. Eu sempre ouvia que estava tudo certo, que já ‘tiraram’ o que tinha que tirar e que eu não iria sangrar mais”, lembra ela, que só mais tarde foi entender o que realmente estava acontecendo. 

Naquela época, Aline não sabia que 80% da população sexualmente ativa já teve ou terá contato com o HPV em algum momento da vida, e que a doença, também conhecida como Papilomavírus Humano, é a principal causa do câncer do colo do útero - o terceiro tumor que mais atinge a população feminina no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer). 

Ela só foi ter conhecimento sobre a seriedade do seu caso em junho do ano passado, quando, depois de ter percebido sua imunidade baixa, teve um sangramento mais considerável ao urinar, que a fez buscar por ajuda. Ao realizar o Papanicolau – também conhecido como preventivo –, lhe foi dito que ela estava com uma lesão pré-cancerosa. A alteração no exame levou a um outro procedimento, uma colposcopia com biópsia, cujo resultado detectou um tumor de 3,3 centímetros. 

O caso de Aline não é uma excessão. Muitas mulheres, principalmente em países subdesenvolvidos, onde o acesso à saúde e a realização de exames preventivos são precárias, descobrem o câncer em estágio avançado.  

Câncer do colo do útero 

Por isso, o mês de janeiro foi escolhido pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) para ser o período de destaque à cor verde piscina, que simboliza o alerta para a prevenção e combate ao câncer do colo do útero , ou câncer cervical , como também é conhecido. 

De acordo com o INCA, esse tumor é a quarto tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil e, em relação ao número de casos que atinge a população feminina, fica em terceiro lugar, perdendo apenas para o câncer de mama e colorretal. 

A doença se trata de uma desestruturação das células dos revestimentos interno e externo do canal do colo uterino que, na maioria dos casos, é causada pelo Papilomavírus Humano, o HPV, vírus transmitido por via sexual. 

Porém, nem sempre o fato de ter o diagnóstico de infecção genital pelo vírus significa que a mulher terá o câncer. Especialistas reforçam que, apesar de ainda não estar claro para a medicina todos os fatores que colaboram com a progressão ou regressão da infecção, aspectos ligados à imunidade, genética, comportamento sexual e tabagismo podem influenciar na evolução para o câncer. 

Apesar de ser assintomática, alguns sintomas como corrimento, coceira, dor durante a relação sexual, sangramentos, aumento do fluxo menstrual e alteração de odores podem ser indícios da doença. Em estágios avançados, pode causar emagrecimento e alteração dos hábitos intestinal e urinário. 

Depois de diagnosticado, o tratamento do câncer cervical é feito com cirurgias, radioterapias e quimoterapias, de acordo com o estágio de desenvolvimento da doença. 

HPV 

O HPV é o nome genérico de um grupo de vírus, com mais de 150 tipos diferentes, sendo que 40 deles podem infectar o trato ano-genital. 

De acordo com o INCA, pelo menos 13 tipos do vírus são considerados oncogênicos, ou seja, “possuem maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões precursoras”. O instituto afirma que, “considerando os HPV de alto risco oncogênico, os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero”. 

A transmissão do vírus acontece predominantemente por meio do ato sexual, e para prevenir é fundamental o uso de preservativos durante as relações, incluindo quando a prática acontece pelas vias orais e anais.  

Tabu 

A falta de informação sobre a prevenção do câncer e sobre a própria doença colaboraram para que o tratamento de Aline fosse mais difícil. “Quando recebi diagnóstico eu fiquei arrasada, não tinha ideia do que era e tive muitas perguntas. Me senti muito sozinha”, recorda. 

Apesar da grande incidência - somente em 2017, o INCA estima que surgiram mais de 20 mil novos casos da doença -, que ainda é desconhecida para uma em cada dez mulheres, segundo uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). 

Por se tratar de um câncer que tem ligação direta à vida sexual da mulher, falar abertamente sobre a condição e seus métodos de prevenção pode ser visto como um tabu, o que contribui para a desinformação e para aumento dos casos. “É muito mais acessível falar sobre seios do que sobre a sexualidade da mulher, especialmente em países mais religiosos”, afirma Aline, fazendo uma comparação com o câncer de mama. 

Diferente de outros tipos de câncer, o do colo do útero não apresenta sintomas na maioria das vezes e também só pode ser detectado por meio de exames realizados por médicos. A Dra. Andreia Melo, Diretora da SBOC, reconhece que esses fatores podem reforçar a falta de um diagnóstico precoce e acesso à informação sobre o tema. 

“A mulher tem, de certa maneira, pudor para fazer o exame e isso pode impedir que procure assistência ginecológica adequada.  Mas precisamos desmitificar isso. O Papanicolau é um exame simples, não dói e pode salvar vidas”, ressalta a médica. 

Como detectar 

O Papanicolau, tecnicamente chamado de colpocitologia oncótica, é o principal procedimento para detectar o problema, e previne até 80% dos casos. Considerado simples, ele é capaz de identificar tanto alterações invasoras no colo do útero quanto lesões precursoras, que podem evoluir para quadros de câncer. O INCA considera o exame fundamental para a cura de quase todos os casos da doença, quando identificadas por meio desta técnica.

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