Estado de Alagoas

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

» Página Inicial Sala de Imprensa Dicas de Saúde Já me vacinei contra a febre amarela, devo tomar outra dose?
19/01/2018 - 15h31m

Já me vacinei contra a febre amarela, devo tomar outra dose?

Eis a resposta para essa e outras dúvidas. A BBC compilou uma série de perguntas enviadas por leitores sobre a febre amarela.

Já me vacinei contra a febre amarela, devo tomar outra dose?

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/

Depois de viver o pior surto de febre amarela silvestre registrado desde 1980, a população brasileira se vê diante de um novo aumento de casos da doença, especialmente na região Sudeste.

De julho de 2017 até 14 de janeiro de 2018, o Ministério da Saúde confirmou 35 casos, com 20 mortes. Os números são atualizados semanalmente. Com 20% dos diagnósticos recentes, o município de Mairiporã, na Grande São Paulo, chegou a decretar "estado de calamidade pública".

A corrida aos postos de saúde por vacina e os casos já confirmados de mortes por febre amarela silvestre levaram o ministério a antecipar a nova campanha de vacinação, que "fraciona" o estoque de vacina para economizá-lo e atingir cerca de 19 milhões de pessoas, com o objetivo de frear o avanço da doença.

"Não sabemos a extensão do que vai acontecer com a febre amarela neste ano e, por precaução, estamos regulando nosso estoque para eventual necessidade. Se surgirem outros focos em outros Estados, teremos condições de cobrir", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

A BBC compilou uma série de perguntas enviadas por leitores sobre a febre amarela. Encontre as respostas abaixo.

Falta vacina contra febre amarela no Brasil?

O Ministério da Saúde afirma que hoje o país tem vacina de febre amarela suficiente para atender a população das áreas onde se recomenda a imunização, mas não divulga o número de doses que estão disponíveis - argumenta que isso é uma informação estratégica.

"No presente momento o Brasil produz o quantitativo (de vacina) que necessita", disse à BBC Brasil, por email, o Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz, que produz a vacina distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista à imprensa nesta terça-feira, o ministro da Saúde substituto, Antônio Nardi, afirmou que, com o fracionamento, o Brasil terá o volume suficiente para vacinar toda a população do país - caso isso seja necessário.

Portanto, o governo diz que há doses suficientes para as necessidades atuais. Mas, de acordo com especialistas, o soro pode, sim, faltar em breve se a doença continuar avançando.

"O Brasil é o maior produtor dessa vacina do mundo, mas para vacinar de uma hora para a outra toda a população das grandes metrópoles, ninguém tem", disse à BBC Brasil Pedro Luiz Tauil, professor da UnB (Universidade Federal de Brasília) e um dos maiores especialistas em doenças tropicais do Brasil.

Segundo ele, a proposta de fracionar as doses ocorre porque "não existe vacina suficiente para toda a população de cidades como São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, se for necessário".

"A área de recomendação de vacina cresceu demais. O objetivo é proteger as pessoas contra o ciclo silvestre e reduzir o risco de urbanização da doença."

Salvador e Rio de Janeiro ainda não são consideradas áreas de recomendação para a vacina de febre amarela, mas serão incluídas na campanha das doses fracionadas. Parte da Grande São Paulo já é considerada área de recomendação temporária para a imunização.

A estratégia de fracionamento de vacinas foi utilizada em Angola e no Congo durante um surto de febre amarela silvestre em 2016, porque não havia doses suficientes para a população dos dois países.

Apesar de não ser ideal, a medida é recomendada pela Opas/OMS como uma "solução às necessidades eventuais de campanhas de larga escala".

Quando há um surto que ameaça a capacidade de abastecimento, por exemplo, e a doença pode se espalhar para áreas densamente povoadas rapidamente e isso deve tentar ser evitado a todo custo.

"O fracionamento não tem a intenção de servir como estratégia de longo prazo nem de substituir as rotinas estabelecidas nas práticas de imunização" ressaltou a organização.

O Brasil pode receber ajuda internacional para ter mais vacinas?

É possível. Em março de 2017, a OMS enviou cerca de 3,5 milhões de doses de vacina para o Brasil, para ajudar a controlar o surto.

Até o momento, no entanto, o Ministério da Saúde diz que não pediu novas doses para a comunidade internacional, e que tem estoque estratégico suficiente.

O que é a vacina fracionada?

A partir de 25 de janeiro, 77 municípios dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia terão campanhas de vacinação com doses padrão e doses fracionadas contra a febre amarela. Os municípios foram escolhidos pelos governos estaduais. Confira aqui se o seu é um deles.

 

Segundo o pediatra e especialista em vacinas Juarez Cunha, um dos diretores da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a vacina continua sendo essencialmente a mesma - um soro que utiliza o vírus atenuado para fazer com que o organismo crie anticorpos contra ele.

A diferença é que a dose fracionada contém 0,1 mL do soro, o que representa um quinto da dose padrão. Quem receber esse tipo de vacina não ficará protegido para sempre - a imunização deve durar pelo menos oito anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz).

O objetivo da campanha é vacinar as pessoas que ainda não foram imunizadas e que vivem em áreas que ainda não eram consideradas de risco.

Quem receber a dose fracionada - que só será administrada na campanha de 15 dias - terá um selo diferente em sua carteira de vacinação e precisará renovar a vacina em alguns anos, um período a ser determinado pelos estudos em andamento.

Ainda não recebi a vacina; devo tomar a dose padrão ou a fracionada?

Durante a campanha em São Paulo, Rio e Bahia, não será possível escolher qual dose receber. Isso é determinado pelo protocolo do Ministério da Saúde.

Pessoas a partir dos dois anos de idade deverão receber a dose fracionada. Já as que têm condições clínicas especiais (portadoras de HIV/Aids, ou que estão em fase final de quimioterapia), gestantes e viajantes para outros países - que já precisam de avaliação médica antes de tomar a vacina - continuarão tomando a dose padrão, assim como crianças com idade entre nove meses e dois anos.

Nos demais municípios onde a vacina é oferecida em todo o Brasil, também continua sendo aplicada a dose padrão. Ela é indicada para crianças a partir de nove meses de idade (ou seis meses, caso estejam em áreas de risco) e para adultos não vacinados até os 59 anos de idade.

Mas ela é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com doenças que prejudicam o sistema imunológico e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo.

Grávidas e mulheres que estejam amamentando um bebê com menos de seis meses devem buscar orientação médica antes de tomar a vacina. A cautela é para evitar a possibilidade de reações alérgicas graves. A orientação geral é que elas só sejam imunizadas se estiverem em área de risco de transmissão da doença.

Idosos acima de 59 anos de idade também precisam passar pelo médico para avaliar o estado do sistema imunológico e se o risco de serem contaminados pela doença é alto ou não.

Em quais Estados é recomendado tomar vacina?

Atualmente, a vacinação para febre amarela é recomendada e oferecida em 21 Estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Isso não foi sempre assim. Em 1997, as regiões Nordeste, Sudeste e Sul ainda eram consideradas "indenes" pelo Ministério da Saúde, ou seja, não afetadas pelo vírus. Mas atualmente, toda a região Sul e quase todo o Sudeste têm recomendação permanente de vacinação, além de partes dos Estados da Bahia e do Piauí.

Desde 2017, o Espírito Santo tornou-se área de recomendação temporária, assim como parte da Grande São Paulo.

Nesta semana, a Organização Mundial de Saúde afirmou que considera todo o Estado de São Paulo como área de risco de transmissão da doença e recomenda que estrangeiros se vacinem antes de vir ao Estado. Mas o Ministério da Saúde manteve apenas parte do território paulista como área de vacinação recomendada.

O Brasil não exige que viajantes estrangeiros se vacinem contra a febre amarela antes de entrar no país - apenas recomenda a imunização caso eles visitem áreas onde o vírus circula.

Há um novo surto da doença no Brasil?

De acordo com o Ministério da Saúde, há aumento da incidência de febre amarela, mas ainda não há surto.

O vírus costuma circular mais no país entre dezembro e maio. Por isso, o monitoramento da doença acontece entre julho de cada ano e junho do ano seguinte.

Entre 2016 e 2017, foram confirmados 777 casos e 261 mortes pela doença no país. Em agosto, o governo federal deu o surto como encerrado, porque há alguns meses não havia mais registros da doença.

Entre julho de 2017 e janeiro de 2018, o Ministério confirma, além dos 35 casos da doença em humanos, 411 casos em macacos. Os números são atualizados semanalmente.

"A febre amarela é uma doença sazonal. No ano passado acabou aquela fase, a doença praticamente desapareceu e agora em dezembro voltou. E vamos ter casos até maio. É sempre assim", afirma o epidemiologista Pedro Tauil, da UnB.

Quais os sintomas da doença e como se proteger?

A febre amarela causa sintomas como dor de cabeça, febre baixa, fraqueza e vômitos, dores musculares e nas articulações. Em sua fase mais grave, pode causar inflamação no fígado e nos rins, sangramentos na pele, hemorragias e levar à morte.

 

Para evitar a doença, o Ministério recomenda usar repelente em crianças a partir de dois meses de idade e evitar usar perfume em áreas de mata.

Ações do documento